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Falhar em planejar é planejar falhar

24/09/2012

Recente relatório divulgado pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA) trouxe algumas informações que merecem reflexão. Uma delas é o número da população mundial: 7 bilhões de pessoas, mais do que o dobro registrado em 1960 (cerca de 3 bilhões). Se contextualizarmos esses números para o nosso país, ficaremos surpresos ao constatar que, no mesmo período de 50 anos, a população brasileira passou de 75 milhões para 190 milhões, o que significa um crescimento de 153%, correspondendo a um aumento, em média, de 2,4 milhões de pessoas por ano. Este quadro fica ainda mais dramático se levarmos em consideração a taxa de urbanização brasileira, que já bate a casa dos 90% – o que equivale dizer que as nossas cidades estão absorvendo, anualmente, o contingente de 2,16 milhões de pessoas. Em 1950, o Brasil tinha apenas duas cidades com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo e Rio de Janeiro). Hoje, 16 cidades já superam este número.

 

O relatório chama a nossa atenção para outra questão importante: devemos continuar crescendo, mas sem exaurir os recursos naturais. Isto nos coloca diante de um quadro que exige maturidade e competência de nossos legisladores. Para absorver esse crescimento, as cidades deverão estar preparadas para fazer os investimentos proporcionais e necessários em infraestrutura urbana e de saneamento básico, escolas, hospitais, energia, segurança, transporte, moradias, parques etc. Precisarão também ser dinâmicas o suficiente para dar emprego aos que chegam. Rica ou pobre, independente de sua cultura ou valores, a próxima geração chega consumindo mais do que nunca. Não importa onde vivam, em mansões ou kitchenettes,  todos consumirão energia elétrica, água, telefone fixo e celular, móveis, tv´s, geladeiras, computadores,  roupas, tudo o que puderem comprar. A evolução da mídia impressa e eletrônica revolucionou a maneira das pessoas consumirem: as mensagens publicitárias estão em todos os lugares e instantaneamente atingem a população, causando mudanças de hábito e desejos consumistas. Trata-se de uma tendência inquestionável, comprovada pelo crescimento do PIB mundial de US$ 32 trilhões, em 2000, para mais de U$S 70 trilhões em 2010. No mesmo período (2000 a 2010), o Brasil, como país emergente, saiu de US$ 645 milhões para US$ 1,7 trilhão.

 

Então, como administrar o crescimento das cidades sem esgotar os recursos naturais hoje disponíveis? Única e tão somente com os pés no chão, sem sonhos e fantasias, perseguindo o caminho do desenvolvimento sustentável, no qual as questões ambientais, sociais e econômicas são tratadas em conjunto. Isto deve ser feito por meio de investimentos maciços em educação e de planos diretores responsáveis, que permitam expansões urbanas, verticais e horizontais, de boa qualidade, que tragam desenvolvimento, moradias, empregos e receitas para o município e, ao mesmo tempo, garantam a preservação do meio ambiente.

 

A ciência e tecnologia já comprovaram que não vingou a tese Malthusiana que afirmava que o crescimento populacional esgotaria as áreas disponíveis para seu sustento. Entretanto, diante dos números populacionais e as taxas de urbanização repetidamente noticiados, fica evidente que se um planejamento mais eficaz de uso e ocupação do solo não for adotado, dificilmente repassaremos para as próximas gerações um mundo melhor. No entanto, a função de planejar a ocupação deve ser de responsabilidade de cada cidade ou região, pois só ela conhece seus problemas e soluções – cada região brasileira tem sua peculiar vocação econômica, social e ambiental, e não há ninguém melhor do que o próprio município para definir seu crescimento, por meio de legislações adequadas ao seu DNA. Só para exemplificar, a onda do pré-sal no estado de São Paulo, com investimentos previstos de mais de R$ 100 bilhões em 15 anos, levará as cidades costeiras a um grande desenvolvimento. É certo que haverá fluxos migratórios para essas regiões, que entrarão em colapso, com graves consequências ambientais e sociais, se não estiverem preparadas em termos de infraestrutura urbana, de saneamento básico, comercial e de serviços.

 

As cidades foram eleitas pela grande maioria da população mundial como seu “habitat” permanente.  Nelas são gerados conhecimento e riqueza, além de desenvolvimento cultural, educacional e tecnológico. Combater esta evidência é estar na contramão do mundo. Portanto, são fundamentais atitudes coerentes de planejamento urbano que respeitem essa realidade. Se de um lado precisamos de novas cidades e bairros, de outro precisamos inventá-los com soluções urbano-ambientais que reduzam os seus impactos ambientais. Práticas como o uso racional da terra com maior adensamento, ao invés do espraiamento; o desenvolvimento orientado para o trânsito e para o pedestre, facilitando a mobilidade das pessoas; a revitalização de espaços urbanos contaminados ou favelizados – estas são apenas algumas iniciativas sustentáveis para o ser humano do século XXI. O Brasil precisa planejar seu crescimento. Temos tudo para chegar lá, só não podemos falhar ao planejar.




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